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Comissão de Tecnologias entrevista Paulo Morais

A Comissão de tecnologias de informação entrevistou o administrador da Pamafe IT e da Indexscreen, S.A. E partilha com o HPP

Na sua opinião, em que estado de informatização se encontram as Instituições de Saúde em Portugal? Quais são os nossos pontos fortes, pontos fracos e oportunidades que identifica neste processo de informatização?

  • O valor que as Tecnologias de Informação introduzem na atividade é hoje reconhecido. As Instituições de Saúde em Portugal dependem e investem em tecnologias de sistemas de informação, traduzindo-se nos últimos anos numa melhoria das infraestruturas tecnológicas.
  • Não está ainda generalizada e implementada uma cultura de boas praticas. Seria importante um levantamento ao nível de infraestruturas, aplicações e procedimentos informáticos em cada instituição para que a partir desse ponto, fosse possível, de forma centralizada e cooperativa, definir um Plano Estratégico para os Sistemas de Informação na Saúde em Portugal. Este seria o primeiro passo e talvez o mais importante para alterar metodologias e reforçar a importância das TI’s no setor da saúde, alinhando-o desta forma com as melhores referências internacionais a este nível. Este plano traduzir-se-ia num plano de investimento global, com aplicação direta nas respetivas instituições que deveriam passar a estar dotadas de Orçamento Anual para o IT, conforme estão outros Serviços das instituições.
  • A integração entre instituições e dos seus sistemas de informação, bem como a ligação ao utente, ainda se encontra num ponto insipiente.
  • Foi dado um grande passo com a criação da Plataforma de Dados da Saúde (PDS) o que é seguramente uma enorme oportunidade, tanto na ligação do utente aos seus vários prestadores de serviços de saúde, como para as Instituições e seus profissionais de Saúde.

Muito se tem falado na questão da literacia digital em saúde dos Portugueses como uma barreira de difusão de sistemas de informação em saúde. Na sua opinião, qual a dimensão deste problema e que medidas adotaria para minimizar o seu impacto?

  • Houve nos últimos anos uma muito significativa evolução. Os utentes utilizam de forma muito capaz dispositivos moveis, entre outros dispositivos pessoais, tirando partido das ferramentas e plataformas disponíveis, quando sabem da sua existência. Não só no sector da saúde, outros setores de atividade já começaram a tirar grande partido desse fenómeno, como é o caso da banca, para citar dos mais tradicionais, ou o setor de retalho.
  • Na ótica do utente é necessário divulgar os meios existentes e sensibilizar para a importância da sua utilização. Temos, como exemplo, a existência da Plataforma de Dados do Utente é ainda desconhecida de muitos cidadãos.
  • O setor da saúde tem um grande desafio na redução e uniformização das aplicações. É difícil formar e consequentemente assegurar a aptidão de todos os profissionais de saúde numa tão extensa e diversa quantidade de aplicações existentes.

A interoperabilidade de sistemas de informação em saúde e a ausência de políticas sobre modelos de governança dos sistemas de informação são apontados como problemas críticos no sector da saúde. O que pensa destes temas e o que sugere?

  • https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gifInteroperabilidade e segurança são os grandes desafios; um implica o outro. A facilidade de conexão à rede pública de dados na quase totalidade do território nacional, a disseminação do dispositivo pessoal, a cultura de acesso à internet, a proliferação de sistemas de informação sofisticados nos vários prestadores de serviço, exige claramente que todos os atores do setor possam e consigam comunicar entre si. O Estado deverá ter a seu cargo a normalização e assegurar a aplicação dos standards que venham a ser definidos. Isto não deve ser entendido como centralização, mas sim como regulamentação.

Que recomendações nos pode deixar para melhorar o acesso, qualidade e partilha dos dados em saúde dos Portugueses?

  • A sensibilização e promoção da segurança como responsabilidade individual.
  • O desenvolvimento de uma política de interoperação entre entidades acreditadas que normalize o acesso à informação.
  • Redução do numero de aplicações, reduzindo o risco de falta de integridade da informação.
  • Possivelmente o mais importante: Criação de Registo Eletrónico Único.

Por último, em matéria de TIC's em saúde, identifique uma área prioritária para se atuar?

  • A interligação entre instituições de forma a disponibilizar informação a profissionais de saúde e utentes em tempo real, independente da instituição, geografia ou Serviço, de forma a racionalizar recursos, desmaterializar processos, criar bases de dados de conhecimento, históricos clínicos e apoio a diagnóstico.