Notícias

Comissão de tecnologias entrevista trio das TIC

A rubrica de entrevistas da Comissão de Tecnologias de Informação em Saúde é, desta vez, o resultado de uma conversa com Bruno Soares (coordenador do Gabinete de Comunicação e Relações Institucionais do Hospital-Escola da Universidade Fernando Pessoa), Hélder Teixeira (diretor dos Sistemas de Informação e Comunicação da Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa), e João Camarinha (coordenador do Gabinete de Faturação, Convenções e Acordos do Hospital-Escola da Universidade Fernando Pessoa)

Na sua opinião, em que estado de informatização se encontram as Instituições de Saúde em Portugal? Quais são os nossos pontos fortes, pontos fracos e oportunidades que identifica neste processo de informatização?

Na nossa opinião, com o conhecimento de diversas Instituições de Saúde privadas e públicas, reconheço que na sua maioria se encontram informatizadas, inclusivamente com sistemas muito avançados. Como pontos fortes, identificamos a vontade que as Instituições têm de desenvolver e inovar processos, melhorando e facilitando o seu diaa-dia, e a prática clínica, com recurso aos Sistemas de Informação. Como pontos menos positivos, consideramos importante a diversidade de sistemas existentes nas instituições, que aumenta a dificuldade e complexidade de interação e partilha de informação entre elas. O processo de informatização é essencial nas Instituições de Saúde em Portugal, por isso era de extrema importância que fossem definidos protocolos e regras para aquisição e implementação dos Sistemas de Informação. Todos os sistemas disponíveis, para aquisição e em produção para a área da saúde, deveriam ser certificados com regras que possibilitassem a partilha de dados clínicos entre Instituições, interligação de registos e também partilha de MCDT’s e outros exames. Isto conduziria a uma diminuição de custos, pois não se repetiriam desnecessariamente exames e facilitar-se-ia a consulta do histórico clinico de um paciente, apresentando ganhos significativos para a saúde.

Muito se tem falado na questão da literacia digital em saúde dos Portugueses como uma barreira de difusão de sistemas de informação em saúde. Na sua opinião, qual a dimensão deste problema e que medidas adotaria para minimizar o seu impacto?

A literacia em saúde é uma base fundamental para a evolução e melhoria dos cuidados de saúde, pois, quanto maior for o conhecimento do utente dos sistemas maior será a consciencialização para a prevenção. A falta de uma cultura de prevenção e de um melhor conhecimento dos sintomas ou alertas de perturbação do estado físico e/ou psicológico aumenta a pressão sobre o sistema de prestação de cuidados e faz disparar custos com a procura hospitalar, o que impede uma mobilização mais eficiente, eficaz e rentável dos parcos recursos financeiros para acudir a situações verdadeiramente graves e inadiáveis. . Neste contexto, a tecnologia permite uma mudança profunda no acesso aos cuidados de saúde através da telemedicina, internet, correio eletrónico e nomeadamente o e-Health, ao baixar os custos, encurtando distâncias e facilitando o acesso a todos os cidadãos a uma atenção à saúde mais económica e mais rápida. As medidas mais imediatas para minimizar o impacto da iliteracia digital e uma vez que este fenómeno ocorre, em primeiro lugar, nos profissionais de saúde, sugerimos medidas como a formação tecnológica nos cursos superiores de saúde, assim como a certificação dos sistemas de informação como fáceis de usar, diminuindo a barreira que separar esses sistemas dos profissionais de saúde. Formar os futuros profissionais de saúde, com muito maior conhecimento das atuais tecnologias médicas, permitir-lhes-á utilizar mais fácil e racionalmente todos os sistemas/equipamentos informáticos existentes, com benefícios óbvios para a relação dos profissionais de saúde com os pacientes, assim melhorando a eficácia e a produtividade humanizada dos sistemas de saúde.

A interoperabilidade de sistemas de informação em saúde e a ausência de políticas sobre modelos de governança dos sistemas de informação são apontados como problemas críticos no sector da saúde. O que pensa destes temas e o que sugere?

A interoperabilidade entre os Sistemas de Informação Hospitalar é essencial para a investigação científica, para a extração de conhecimento de outras instituições e também para apoiar a tomada de decisão. Existem protocolos de comunicação padronizados internacionalmente como o caso do Health Level Seven (HL7) que permite a troca e partilha eficaz de mensagens entre as instituições/sistemas de saúde. A “obrigação” de os vários sistemas/equipamentos implementados/adquiridos “falarem” nesta língua iria com toda a certeza facilitar a partilha de informação e aumentar a qualidade do serviço prestado

Que recomendações nos pode deixar para melhorar o acesso, qualidade e partilha dos dados em saúde dos Portugueses?

Em primeiro lugar, “uniformização” de sistemas e criação de regras para utilização de protocolos de comunicação. Depois, a criação de uma ferramenta centralizada que possibilitasse aos cidadãos acederem à sua informação clínica (exames, dados registados e até possibilidade de “alimentação” de informação pelo próprio paciente). Seria de extrema utilidade para o paciente e para qualquer clínico em qualquer parte do pais terem garantida a portabilidade das informações clínicas. Seguidamente, assegurar o acesso do paciente à consulta de toda a sua informação/exames, através do seu cartão de cidadão. Enfim, a criação de regras de segurança, para que a informação partilhada fosse apenas acedida com a devida autorização do paciente. São estes os fatores que, a meu ver, teriam de ser considerados. 5. Por último, em matéria de TIC's em saúde, identifique uma área prioritária para se atuar? Na minha opinião, uma das áreas, que deveria ser prioritária, era a obrigatoriedade de utilização de um sistema informatizado que possibilite o registo eletrónico de dados dos paciente com campos normalizados, pré-definidos e uniformes para todas as Instituições. A utilização de processos diferenciados pelas instituições limita, de forma significativa, qualquer possibilidade de partilha. Como segunda prioridade, identificamos a definição de regras para os registos dos MCDT’s com a criação/utilização de sistemas que possibilitem o acesso a esta informação de forma partilhada, entre instituições públicas e privadas, desenvolvendo poupanças significativas na vertente financeira, com ganhos reconhecidos na prestação de cuidados de saúde e na saúde de todos nós.