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Comissão de Tecnologias entrevista João Mota Lopes

Desta vez os deputados da Comissão de Tecnologias da Informação entrevistaram o Lead Account Manager para as áreas estratégicas da Oracle

Na sua opinião, em que estado de informatização se encontram as Instituições de Saúde em Portugal? Quais são os nossos pontos fortes, pontos fracos e oportunidades que identifica neste processo de informatização?

Portugal é uma referência internacional neste domínio. Muito tem sido feito ao longo dos tempos. O Registo Nacional do Utente, a Receita sem Papel ou a Prescrição Eletrónica de Medicamentos são excelentes exemplos. Penso que agora falta trabalhar nos sistemas iniciados à duas décadas, por exemplo, o Sinus e o Sonho. É necessário a sua urgente atualização tecnológica e até funcional.

Muito se tem falado na questão da literacia digital em saúde dos Portugueses como uma barreira de difusão de sistemas de informação em saúde. Na sua opinião, qual a dimensão deste problema e que medidas adotaria para minimizar o seu impacto?

A literacia não é só apanágio dos Portugueses. Também os profissionais precisam de mais formação e informação. Esta é uma aposta que tem de ser ganha e a todos os níveis no setor da saúde.

A interoperabilidade de sistemas de informação em saúde e a ausência de políticas sobre modelos de governança dos sistemas de informação são apontados como problemas críticos no sector da saúde. O que pensa destes temas e o que sugere?

Temos bons exemplos de interoperabilidade nos sistemas de saúde nacionais. O RNU foi uma das primeiras aplicações a integrar com o Cartão do Cidadão, por exemplo. Agora, tem de se trabalhar no domínio da interoperabilidade semântica. Mas acima de tudo faz falta a existência de uma arquitetura de referência a nível dos sistemas de informação de saúde. Aqui a SPMS tem de ditar as suas regras. É um imperativo.

Que recomendações nos pode deixar para melhorar o acesso, qualidade e partilha dos dados em saúde dos Portugueses?

A criação de uma arquitetura de referência é fundamental. Depois a aposta em standards de mercado no desenvolvimento de aplicações de saúde. Sem standards abertos não se consegue interoperabilidade entre aplicações. Por ultimo, a segurança e privacidade de dados pessoais. Neste campo falta fazer ainda muito na área da saúde.

Por último, em matéria de TIC's em saúde, identifique uma área prioritária para se atuar?

Tem de existir uma política estável de relacionamento com os principais vendors de mercado, que aqui podem atuar como verdadeiros parceiros estratégicos. Sem parcerias sólidas não existem compromissos de ambos os lados, utilizadores, compradores e fornecedores.

Diria que muito há ainda a fazer na atualização de sistemas legacy (com mais de vinte anos) que são ainda a coluna dorsal do SNS.