Notícias

"investir mais na sensibilização e dotação de conhecimentos e respostas aos médicos das consultas de medicina geral e familiar"

A psicóloga Eleonora Gonçalves manteve a área de trabalho que sempre conheceu na escolha da comissão do HPP. O grupo de trabalho Saúde Mental pareceu-lhe o mais indicado, porque o que sente pela área “é quase paixão”, pois já em estudante fazia voluntariado no Hospital Miguel Bombarda. Agora, de voluntária na saúde mental passou a diretora, mas sempre a olhar para a saúde mental com o mesmo encanto

O que a fez querer participar neste projeto?

Enquanto pessoa com interesse pelo exercício da minha cidadania de forma participativa, o que mais me motivou foi poder participar num grupo de pessoas com variados conhecimentos em diferentes áreas, tendo uma voz ativa e podendo contribuir para o desenvolvimento e implementação de políticas de saúde baseadas nas necessidades comprovadas pelos estudos empíricos, juntamente com a experiência de profissionais de diversos sectores, que também trazem consigo as carências e expectativas dos utilizadores dos serviços de saúde.

Este exercício de pensar, ouvir, discutir, refletir, analisar e desenhar sugestões em conjunto é um trabalho que me agrada, para o qual estou motivada e com os devidos conhecimentos, inseridos no âmbito dos cuidados continuados integrados em saúde mental. Com a experiência e a energia que possuo, creio poder contribuir de uma forma positiva para a construção de propostas de políticas de saúde que possam ir ao encontro das reais necessidades das pessoas com doença mental, seus familiares, profissionais e entidades.

Em que medida a sua experiência pessoal é uma mais-valia para o Health Parliament?

O meu percurso académico e profissional dotou-me de conhecimentos científicos, legislativos, experiência institucional e pessoal de trabalho no terreno com pessoas com experiência de doença mental e suas famílias, ou seja, um conhecimento dos vários intervenientes na problemática, conhecendo deste modo as oportunidades e as fragilidades do sistema.

Conheço e acompanho diariamente o percurso de vida das pessoas com doença mental, as suas vitórias e retrocessos, o estigma e a inclusão e também o envolvimento e esforço de todos os familiares e profissionais no sentido de lhes potenciarem uma vida digna, com qualidade e sonhos tangíveis de ser concretizados.

Também conheço e acompanho há mais de 20 anos as entidades que desenvolvem projetos e respostas sociais para pessoas com doença mental, as suas necessidades e potencialidades, mas, acima de tudo, os seus conhecimentos, experiência no terreno, empenho, determinação e envolvimento na sociedade, num movimento de inclusão e reintegração.

Qual a melhor característica da saúde em Portugal? E a pior?

A melhor característica será a acessibilidade económica e gratuita para pessoas com doenças crónicas e/ou dificuldades financeiras e a distribuição física dos cuidados de saúde primários, não esquecendo as equipas móveis.

A pior característica será a incapacidade de resposta atempada em termos de consultas e respetivo acompanhamento das necessidades dos utentes.

Dê uma ideia concreta para aplicar na saúde.

Implementação de respostas para a saúde mental na comunidade, legisladas pelo Decreto-Lei n.º 8/2010, no âmbito dos cuidados continuados integrados em saúde mental, dando seguimento às criadas ao abrigo do Despacho conjunto n.º 407/98.

Em termos de cuidados de saúde primários, investir mais na sensibilização e dotação de conhecimentos e respostas aos médicos das consultas de medicina geral e familiar e equipas de enfermagem para o acompanhamento e encaminhamento atempado para a especialidade, nomeadamente nas doenças mentais graves.