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"A pior coisa que se pode fazer com o sistema de Saúde em Portugal é politiquice"

Projetos Expresso. A reunião inaugural dos 60 deputados do novo Health Parliament Portugal foi marcada por apelos à reflexão e ao trabalho com o objetivo de contribuir para a sustentabilidade da Saúde. E pelas primeiras impressões...

Pedro Pita Barros arrancou a tarde com uma apresentação sobre a redação de um Policy Report e dicas aos parlamentares sobre os trabalhos dos próximos meses
Jose Fernandes
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Tiago Oliveira

Jornalista

Contributo. Foi uma palavra que se ouviu várias vezes na boca de várias pessoas ao longo do dia. E que resume bem o ambiente vivido durante o Training Day que marcou a primeira reunião do Health Parliament Portugal. Os 60 deputados eleitos para a nova legislatura do único parlamento dedicado à Saúde, estiveram todos juntos na mesma sala a partilhar experiências e a ouvir figuras de diferentes áreas para preparar o longo caminho dos próximos meses.

O edifício do grupo Impresa foi o palco da sessão inicial da segunda edição do projeto - que junta Expresso, Janssen, Microsoft e Universidade Nova - com o objetivo de promover um fórum de discussão do sector que fuja à habitual esgrima política. "A pior coisa que se pode fazer com o sistema de saúde em Portugal é politiquice", defende Adalberto Campos Fernandes.

O ex-ministro da Saúde foi uma das visitas durante a tarde e alertou para as dificuldades que o sector enfrenta por ser "um organismo vivo", em constante mutação, e cujas respostas para a sustentabilidade futura não são fáceis. Mesmo reconhecendo que o atual financiamento do SNS é baixo, o também mentor do Health Parliament Portugal acredita que as diferentes visões dos deputados podem fazer a diferença quando se começarem a ambientar. "No princípio a ida ao parlamento estranha-se mas depois entranha-se".

"É uma plataforma única", acrescenta Vera Barracho. A conselheira na área de estratégia e planeamento é uma das novas parlamentares e revela que entrou com a visão de contribuir para "novos serviços e funcionalidades" com a "expectativa de muito trabalho e aprendizagem". Entre as conversas possíveis durante o dia, identifica um "grupo novo, motivado, diverso e com uma combinação de personalidades que ajudam a colocar os porquês".

Arrojo

Após uma manhã dedicada à apresentação do projeto, a uma palestra sobre relações mediáticas e a uma análise psicológica de personalidades, a tarde assumiu um lado mais académico e de contacto com as políticas públicas. Pedro Pita Barros, professor de Economia da Nova School of Business and Economics, falou sobre as principais componentes de um trabalho que sustente medidas práticas, ao mesmo tempo que deixou dicas para os métodos de trabalho que os parlamentares deverão seguir.

"O que nós pretendemos é que haja visão, arrojo, seriedade, conhecimento e algum realismo", aponta a ex-deputada da Comissão de Saúde da Assembleia da República, Isabel Galriça Neto. Num sector em que "os tempos são outros", a médica acredita que se "não estamos satisfeitos" é hora de "mudar as coisas por dentro." Sem ter medo "das divergências", até porque "fazem parte".

Para Filipa Mota e Costa, diretora geral da Janssen Portugal, o que está em causa é uma "crença numa cidadania ativa", que foi também o que motivou Lino André Olmo a concorrer ao Health Parliament Portugal, após não ter conseguido entrar na primeira edição. "Quero contribuir para algo que seja positivo para as pessoas, que seja aproveitado e colocado em prática".

O dia serviu para umas "primeiras impressões enriquecedoras", com um almoço em que "começou a parte da partilha de conhecimento". Por outras palavras, hoje arrancou o debate de opiniões que se pode traduzir em mudanças concretas na Saúde. "Quando isto acabar, vão ser pessoas diferentes", lançou o vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, José Fragata. "Vão intervir na sociedade pela discussão".