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Francisco Goiana da Silva ganha Prémio João Lobo Antunes em Bioética. "É uma pessoa que me diz muito"

O presidente do Health Parliament Portugal conquistou o galardão atribuído pelo ministério da Saúde com um trabalho sobre o impacto das fake news nas notícias sobre o sector. Segue-se uma colaboração com a Organização Mundial de Saúde

A notícia chegou como uma surpresa a vários níveis, a começar pela data da atribuição. "Não estava de todo a contar, até porque o prémio devia ter sido atribuído a 7 de abril por ocasião do Dia Mundial da Saúde, e foi adiado pelos motivos que todos sabemos", confessa Francisco Goiana da Silva. O presidente do Health Parliament Portugal fala do Prémio João Lobo Antunes em Bioética, que recebeu com "orgulho" por se considerar "um dos discípulos" do neurocirurgião que morreu em 2016.

Francisco Goiana da Silva é deputado da Comissão de Sustentabilidade e Equida no parlamento exclusivamente dedicado à Sáude - que junta Expresso, Janssen, Microsoft e Universidade Nova - e desenvolveu um trabalho onde o impacto das fake news no sector da saúde foi analisado.

O estudo foi desenvolvido em parceira com o advogado e co-autor da página "Os Truques da Imprensa Portuguesa", João Guedes Marecos e o professor universitário Oliver Bartlett, e teve como base uma "preocupação relativamente às tendências" e artigos falsos que grassam nas redes sociais."Não é fácil, muitas vezes, até para mim que sou profissional, distinguir o trigo do jóio", confessa.

A quarentena decretada pela pandemia foi posterior à entrega mas Francisco Goiana da Silva conta que a Covid-19 já foi um factor no trabalho. "Na véspera da entrega do artigo, lembro-me que saiu algo sobre a disseminação de notícias do vírus chinês", recorda. "Disse aos meus parceiros que tínhamos que incluir algo sobre isto. Mal sabíamos", admite.

Os "medos confirmaram-se" e todos os exemplos disponíveis dão conta dos efeitos nocivos que a desinformação está a provocar junto da população. "A pandemia veio demonstrar que isto efetivamente é um problema", só que já não é novo. O médico e gestor acredita simplesmente que "quando estamos focados em algo, é mais fácil apanhar as coisas falsas".

Grande vitória

A preocupação com as fake news chega agora às mais importantes organizações internacionais e, mesmo antes da atribuição do prémio, Francisco Goiana da Silva e os autores do trabalho já tinham sido convidados a fazer parte de um grupo de trabalho da Organização Mundial de Saúde.

"O trabalho funciona como uma plataforma para recomendações" e é isso que vão procurar agora sistematizar com parceiros de todo o o mundo. "Esperamos juntar governos, representantes dos grandes órgãos de media, e a sociedade civil" para definir linhas de orientação e comunicação claras para lidar com as notícias falsas. Por outro lado, o grupo pretende criar um sistema de "co-regulação" que permita lidar com "os órgãos de comunicação que não prestam contas" como os tradicionais. "Se conseguirmos fazer isto, já vai ser uma grande vitória", garante.

Quanto ao nome do prémio, Francisco Goiana da Silva lembra o mentor que o ajudou a pagar os estudos em Londres com uma exposição de escultura sua - curada pelo neurocirurgião, que também "comprou a primeira peça por um valor simbólico" - e que o inspirou a seguir este caminho. "O prémio tem um significado especial. É uma pessoa que me diz muito".