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“Medidas de chave na mão”. A promessa dos deputados do Health Parliament

Projetos Expresso. Num plenário diferente de todos os outros, os deputados do Health Parliament Portugal reuniram-se presencialmente e digitalmente para fazer o ponto de situação do trabalho das seis comissões e preparar o caminho para as recomendações finais

Tiago Oliveira

Jornalista

Oito meses e 17 dias. É o espaço de tempo que separa o primeiro do segundo plenário da segunda edição do Health Parliament Portugal (HPP), que hoje voltou a reunir para apresentar o diagnóstico de um sistema de saúde que durante este período mudou como nunca. Todos juntos, mas separados por via digital, para discutir a saúde em Portugal e dar um ímpeto decisivo à renovação do sistema numa fase crucial da sua existência.

A pandemia obrigou a uma pausa não prevista e colocou novos desafios aos 60 deputados do único parlamento inteiramente dedicado à saúde em Portugal. O que não significou uma paragem nos trabalhos, com os parlamentares das diferentes comissões a continuarem a reunir-se por via digital e a aproveitarem o foco mediático no sector para chamar ainda mais a atenção para os problemas que se propõem a tentar resolver.

“Sejam incómodos, perturbadores, disruptivos”, exortou o antigo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, uma das presenças por via digital, para um plenário diferente de qualquer outro realizado como parte do projeto do Expresso e Janssen, companhia farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, a que se juntam a Microsoft e a Universidade Nova de Lisboa.

Gestão de recursos

Ao longo do dia, deputados das seis comissões do HPP - Tecnologia e Integração de Cuidados, Sustentabilidade e Equidade no Sistema de Saúde, Saúde Mental, Recursos Humanos, Oncologia e Inovação e Valor em Saúde – estiveram à vez no estúdio 1 do edifício do grupo Impresa para fazerem o ponto de situação do trabalho realizado ao longo dos últimos meses. Após cada apresentação, abria-se o espaço para a entrada em cena de outros deputados e membros de cada conselho consultivo, para tecerem as suas considerações através do Zoom.

Contingências já habituais da nova realidade criada pela pandemia, mas que não impediu os deputados de voltarem a estar reunidos e a promoverem o debate entre todos, com vista aos próximos passos. Sobretudo num país não só com falta de recursos mas, sobretudo, má gestão de recursos, como ficou claro ao longo das apresentações.

Nas interações ao longo do plenário, os membros dos conselhos consultivos aproveitaram os dados e diagnósticos levantados pelos deputados para tecer comentários, dar conselhos e pedir medidas concretas em campo como o envelhecimento ativo, por exemplo, ou na promoção de uma maior consciencialização da população. “O problema é o envelhecimento demográfico com doença”, apontou a antiga ministra da Saúde, Maria de Belém, ao passo que a ex-deputada do CDS-PP, Isabel Galriça Neto, garantiu que “a literacia é essencial”.

Segue-se agora o passo de traduzir estas ideias em medidas concretas e, Francisco Goiana da Silva, deixou um apelo para que o trabalho, “feito com bastantes adversidades” não resulte em “recomendações vagas que o país já está habituado a ver”. O presidente do HPP deixou a fasquia mais alta: “Queremos medidas de chave na mão”.

Próximos passos

O terceiro plenário do HPP, a 20 de novembro, servirá para proceder à votação das recomendações apresentadas pelos deputados. No quarto plenário, a 15 de janeiro, haverá lugar à apresentação pública do trabalho feito pelos parlamentares e que resultará numa série de medidas a entregar às autoridades públicas. Para acompanhar ao longo dos próximos meses nas páginas do semanário Expresso, na antena da SIC Notícias e no nosso site.